Manuel da Silva Sant’Ana D’Araújo (Almada, 21 de julho de 1932 — Almada, 26 de dezembro de 1999) foi um mestre ourives português, reconhecido pelo seu contributo para o património da ourivesaria religiosa e tradicional em Portugal. Membro da comunidade surda, destacou-se pela excelência técnica na criação de peças de alta ourivesaria, tendo o seu espólio profissional sido integrado na exposição permanente "Oficina do Ouro" do Museu do Traje de Viana do Castelo.
Biografia Nascido em Almada, Manuel Sant’Ana D’Araújo iniciou o seu percurso profissional em 1942, aos 12 anos, como aprendiz de ourives em Lisboa, trabalhando na empresa Araújo & Marques. Complementou a sua formação prática com estudos nas Belas-Artes entre 1948 e 1950. Ao longo da sua carreira, trabalhou em prestigiadas casas da capital, como a Ourivesaria da Moda, na Rua da Prata, e com o mestre Máximo Mendonça. Em 1972, estabeleceu-se por conta própria, mantendo a sua atividade artesanal em Lisboa e, mais tarde, regressando à sua terra natal, Almada, onde trabalhou até ao fim da sua vida.
Obra e Legado A sua obra mais emblemática é a Coroa da Nossa Senhora da Saúde, executada em 1970 para a capela da Mouraria, em Lisboa. A peça, trabalhada em ouro e decorada com pedras preciosas, pesa cerca de 2,6 kg. Na época da sua conclusão, a coroa foi oficialmente colocada na imagem por Gertrudes Rodrigues, esposa do então Presidente da República, Américo Tomás. Em maio de 2013, o seu espólio de ferramentas e artefactos de oficina foi doado pela sua viúva à Fundação Eduardo Freitas, passando a integrar a "Oficina do Ouro" no Museu do Traje de Viana do Castelo. Esta exposição permanente homenageia os mestres artesãos que preservaram as técnicas tradicionais da ourivesaria portuguesa do século XX.
Reconhecimento Ao longo da sua carreira, Manuel Sant'Ana D'Araújo foi alvo de reconhecimento público pelo seu percurso na ourivesaria e pela sua dedicação à comunidade surda. Foi entrevistado em 1985 pela RTP para o programa Novos Horizontes, onde demonstrou as suas técnicas de cinzelagem. O seu trabalho e a sua história de vida foram também destacados pela revista especializada JoiaPro, que sublinhou a sua mestria na arte de trabalhar os metais nobres.
Referências