Em campanha em Roraima, Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, prometeu ampliar a infraestrutura local, com a construção de pontes e estradas para ligar o estado ao vizinho Amazonas.A declaração foi dada durante o primeiro dia de campanha do candidato na região Norte, onde as pesquisas apontam vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula.“Recebi aqui uma série de demandas do setor produtivo; basicamente, é dar continuidade e melhorar ainda mais o que começou o presidente Bolsonaro aqui no estado, o que nós vamos fazer”, disse Flávio, citando a gestão de seu pai. “Se Bolsonaro conectou Roraima pelo Linhão de Tucuruí com a energia de todo o Brasil, a gente, agora, ao invés de ter muros que separem Roraima do Amazonas ou de outros países, nós vamos ter pontes, estradas e conectividade no estado de Roraima para que ele se desenvolva ainda mais”, afirmou.O Linhão do Tucuruí ao qual Flávio se refere é uma rede de energia que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR) e foi licitado em 2011 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Foi alvo de disputas judiciais, houve um acordo com os órgãos federais em 2022 e a conclusão das obras ocorreu em setembro de 2025. O candidato também pediu votos para Hélio Bolsonaro e Antonio Nicoletti, candidatos do PL ao Senado pelo estado.“Temos aqui senadores que nos ajudam, como o Hiran [atual senador do PP], a aprovar matérias no Congresso Nacional que vão continuar sendo pontes com o governo do presidente Flávio Bolsonaro a partir do ano que vem. E vai estar sempre de portas abertas aqui, em especial um pedido ao povo de Roraima com relação aos nossos dois candidatos ao Senado, que são Hélio Bolsonaro e o Nicoletti”, disse Flávio.A promessa de Flávio Bolsonaro esbarra em um debate antigo e ainda não resolvido sobre a infraestrutura que liga Roraima ao restante do país. Os dois estados já são conectados pela BR-174, que une Boa Vista a Manaus, mas o gargalo logístico está mais adiante: a BR-319, único trecho rodoviário que liga Manaus a Porto Velho e, por extensão, ao sistema viário do resto do Brasil. Como Roraima depende dessa rota para escoar produção e receber cargas por terra, qualquer entrave na malha do Amazonas afeta diretamente também o estado governado por Flávio.A pavimentação dessas vias divide opiniões. Políticos locais, o Ministério dos Transportes e moradores da região argumentam que os dois estados não podem seguir isolados por terra do restante do país, e defendem obras como a troca de pontes de madeira por estruturas de concreto, iniciativa que já recebeu licenças do Ibama para alguns trechos e é apresentada como necessária para a segurança viária e o transporte de cargas pesadas.Do outro lado, cientistas, ambientalistas e organizações da sociedade civil alertam que o asfaltamento sem uma fiscalização rígida tende a abrir caminho para desmatamento ilegal, grilagem de terras e garimpo em uma das áreas mais preservadas da Amazônia. A própria BR-174 atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari, na fronteira entre Roraima e Amazonas, e obras de ampliação ou o aumento do tráfego já geraram conflitos recorrentes envolvendo direitos indígenas, segurança e impacto sobre a fauna local, incluindo atropelamentos de animais silvestres. Estudos de impacto ambiental para esses projetos costumam ser contestados judicialmente pelo Ministério Público Federal e por entidades como o Observatório do Clima, o que tem travado e destravado editais de obras ao longo dos últimos anos.🗳️Eleições 2026: leia todas as notícias sobre a disputa🤳🏽Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp 📲









