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Foto: Divulgação

Entrevista comWladimir MattosCandidato à presidência do Santos FC

Candidato na última eleição, Wladimir Mattos entra novamente na disputa pela presidência do Santos, visando “colocar a casa em ordem”. Atuou na gestão de departamentos de futebol de base e profissional em clubes da Baixada Santista, exerceu dois mandatos como conselheiro e é fundador da Associação Realizar, entidade que possui times esportivos na região. Agora, diz estar com uma equipe mais preparada e “empolgada com o desafio” de assumir o alvinegro que ostenta uma dívida na casa do R$ 1 bilhão.

Priorizando a gestão das dívidas, Mattos convidou Raphael Vianna, profissional que foi diretor financeiro de Cruzeiro e Vasco e agora quer “reduzir desperdícios, preservar a competitividade e construir uma recuperação esportiva sustentável” no time. “O Santos enfrenta um desafio que exige experiência prática em reconstrução, não apenas boas intenções”, afirma Vianna.

Mattos vê falta de planejamento em relação ao Neymar, onde o clube perdeu arrecadação. “O maior pecado que o Santos cometeu foi tratar esse tempo todo o Neymar como evento. Deveria ter sido limitado à chegada e daí para frente um negócio”, afirma o administrador e historiador de 61 anos ao Estadão.

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Mattos afirma que Santos não aproveitou Neymar comercialmente: ‘Maior pecado’

Candidato vê falta de planejamento com o jogador mas gostaria de conter com o camisa 10. Crédito: Edição: Júlia Pereira

Por que ser novamente candidato a presidente do Santos?

Sou empresário do setor portuário, há mais de 30 anos, e com experiência na formação de equipes, e entendi que essa experiência que eu adquiri me permitia contribuir com uma paixão.

Sou santista, torcedor, associado, frequentador de estádio, fiz parte de torcida organizada, conheci o Brasil graças ao Santos. Triste e chateado com essa situação, nunca houve, de fato, uma ruptura com as velhas práticas, a solução passa necessariamente pela profissionalização e pela governança, algo que nunca aconteceu. É possível fazer do Santos novamente protagonista do futebol brasileiro, algo que se perdeu ao longo dos últimos anos em que nós só comemoramos permanecer na Série A.

Como você entende a questão da SAF no Santos?
Não dá para ser conduzida por armadores. Precisa ter pessoas que saibam o que é isso. Porque a SAF chega, mas a instituição também permanece. O guardião, número 1 da SAF, é a instituição.
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Existe um caminho a ser percorrido até ela. Primeiro é a questão financeira, entender o ambiente no qual iremos trabalhar. Não adianta falar em SAF com o time limitado para o transfer ban, sem elenco, sem pagar salário, sem transparência. A primeira prioridade é colocar a casa em ordem.
Na montagem da SAF, existem perguntas para serem respondidas. Quais dívidas serão assumidas? Onde o investimento será aplicado? Quais as garantias de longo prazo? O projeto esportivo? A associação é parte do processo. Precisa quitar as dívidas do passado, planejar o longo prazo.
Wladimir Mattos, candidato à presidência do Santos FC Foto: Divulgação
E mais importante, a SAF se sustenta como? O dinheiro inicial é importante, mas não basta. Quais as garantias? Como preservar a imagem e identidade?
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Tenho o meu ideal, o modelo alemão seria o perfeito. Mas uma coisa é o ideal e outra é a nossa realidade. Aquilo que o investidor está disposto a fazer. Não adianta a gente falar que vamos trazer o grupo que comprou o Liverpool e o Manchester, o produto futebol no Brasil não chegou a esse nível de maturidade para atrair esses investidores.
Os que vão se interessar pelo futebol brasileiro, nesse momento, são de médio porte. E será que terão condição de segurar por 5, 10 anos o necessário? O orçamento de um brasileiro está chegando na casa de 2 bilhões de reais, o Santos hoje tem 500 milhões.
A SAF não pode vir para pagar as dívidas do Santos, precisa ser instrumento de valorização, não salvamento financeiro. A própria lei já garante que parte das receitas seja para o pagamento de dívida.
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Candidato tem prioridade nos salários do time: ‘Com jogador insatisfeito o resultado não aparece’
Mattos reconhece importância de resolver a situação financeira do clube. Crédito: Edição: Júlia Pereira
O clube viu a dívida atingir a marca do R$ 1 bilhão. Como tentar resolver essa questão?
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Entender quais as dívidas que vencem primeiro. Qual é o caixa e quais são as receitas que serão encaixadas, e se não houver receitas, como nós vamos fazer? Vamos negociar antecipação de patrocínio, antecipação de notas de federação, da CBF, da Liga.
Conversar com o elenco, discutir redução de custos no clube, os jogadores que vão ficar, os que vão sair, os que vão ser emprestados. Falar com o conselho deliberativo sobre o tamanho da situação.
Todas as opções estão na mesa, recuperação judicial, extrajudicial, tudo será considerado. O compromisso é manter salários em dia, o Santos é um clube de futebol, e com os jogadores insatisfeitos, o resultado não aparece.
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Os profissionais que estarão conosco em 2027, tem passagens em clubes associativos e SAF’s, sabem como é. O que diferencia a experiência deles com o Santos Futebol Clube, é que por onde passaram, eles já sabiam o fundo do poço. O Santos a gente tem a leve impressão que o fundo do poço deve estar mais ou menos ali, mas só vamos descobrir isso a partir da eleição.
Como enxerga a necessidade da construção de outro estádio?
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A Vila Belmiro onde ela está hoje, é possível receber um estádio acima de 30 mil lugares? Não? Então ali não pode ser. Precisa fazer sentido financeiro. Você vai fazer um financiamento de 700 milhões de reais, com juros por ano. Não pode ter uma dívida desse tamanho. Sem parceria e sem SAF o estádio não sai.
Existem outros fundos internacionais aptos a investir em futebol, que não tem vínculo com o SAF. A gente já estudou essas opções, só que as regras para se construir o estádio implicam necessariamente em mudanças estruturais importantes do Santos, entre elas, a governança e uma SAF que responda essas exigências e que dê segurança a alguém que vai enfiar 700, 800 milhões de reais na construção.
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Mattos quer reformas nos CT’s dentro da condição financeira do clube: ‘Nada instagramável’
Candidato coloca prioridade no desenvolvimento das categorias de base e futebol feminino. Crédito: Edição: Júlia Pereira
Esse raciocínio se mantém para os centros de treinamento?
Está entre as nossas prioridades zero. Precisamos retomar o protagonismo da nossa base, e fisicamente ter onde desenvolver isso. Se fala agora numa área de 700 mil metros quadrados na cidade de São Vicente, que é alguma coisa que pode acontecer e se acontecer ainda vai levar bastante de tempo. Mas me assusta às vezes essa empolgação. O CT de Cotia, tem 230 mil, oito campos, hospedagem para 95 meninos das categorias de base. Eu estou preocupado. Imagina quanto me vai me custar para manter uma área de 700 mil.
Quanto me custará, por exemplo, esse tempo em que eu não consiga as licenças e autorizações. Tem IPTU? Isentou? Qual é minha responsabilidade sobre o meio ambiente?
Quero algo que me permita desenvolver e na minha realidade. Não estou atrás de nada “instagramável”. Existe financiamento, tem os incentivos fiscais, a renúncia fiscal que pode te ajudar, os programas de governo, você pode trazer a construção vendendo o naming rights do próprio CT, mas é um projeto que pode ser viabilizado.
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Como você planeja resolver a dívida com a NR Sports?
Esqueçam a figura do Neymar nessa conversa. É uma relação profissional. Ele tem um valor a receber. Se o Marcelo Teixeira fez um acordo com ele, que seja 1 milhão de reais por mês, será pago. A empresa detém a marca Pelé, é fundamental para o Santos também. Nós queremos essa parceria, trabalhar em conjunto com o Neymar, ele tem um carisma. Que clube do mundo tem a marca Pelé e Neymar combinada com a marca Santos? Acho que nem o Real Madrid.
Como você enxergou a volta do Neymar ao Santos? Renovaria o contrato?
O maior pecado que o Santos cometeu foi tratar esse tempo todo o Neymar como evento. Deveria ter sido limitado à chegada e daí para frente um negócio. Perdeu a oportunidade de jogar em São Paulo, fez uma parceria onde chegou a trocar estádios, o Santos poderia ter jogado mais no Morumbi com o Neymar. Posso te garantir que teria ganhado muito mais dinheiro. A camisa número três, só o bônus que teve com a venda das camisas azuis, mas ficou naquilo e mais nada. Tivemos problema de produção, uma coisa que não foi planejada.
O Neymar em campo, com todas as críticas, foram os momentos que a entrega esportiva foi maior. Quando você tem uma persona como essa, tem que explorar no limite. E, ainda assim, teve um crescimento de receita de quase 50%. Vamos imaginar que ele queira e o clube também queira. Chegamos aos números e falamos: “Neymar, consigo chegar a tanto”. E você pode trabalhar formas de fazer com que ele ganhe o outro tanto. Manter o Neymar dentro daquilo que seja possível e real ao clube. Eu, particularmente, gostaria, porque eu ainda acho que Neymar com uma perna só é melhor que muito jogador no Brasil.
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Candidato vê clube mal pago nos direitos de transmissões: ‘Santos perdeu o local de fala’
Mattos afirma que o time virou figurante nas discussões do futebol nacional. Crédito: Edição: Júlia Pereira
Como você vê a parcela do Santos nos direitos de transmissão? Faria um novo acordo?
O Santos perdeu o de fala. O futebol brasileiro hoje ele é discutido por duas pessoas: BAP e a Leila. De vez em quando alfineta o Pedrinho do Vasco, o Santos não tem mais voz lá.
O clube precisa cobrar a profissionalização da arbitragem, um calendário organizado, bater o pé na questão das ligas. O clube passa a ser notado quando ele tem local de fala.
O Santos é muito mal pago hoje. É óbvio que a gente não vai chegar e dizer: “Quero o mesmo que o Flamengo”. Mas eu não posso receber menos que um clube que esteja na mesma prateleira. O Santos tem direito a muito mais, a estratégia vai estar em aproximarmos dos clubes que estejam na nossa prateleira e sair dessa discussão limitadora, que é o quanto o Flamengo acha que tem que ganhar e os demais que fiquem com as sobras.
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