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Malu Gaspar

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante sessão plenária — Foto: Brenno Carvalho/O Globo
A decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de convocar uma sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro resolveu um impasse que se arrastava desde a semana passada, mas deve criar novos embates e expor as fissuras internas da Corte antes mesmo de começar.
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A aposta de ministros ouvidos pela equipe da coluna logo após a decisão de Fachin é que os próximos dias serão tomados por articulações das alas que hoje se enfrentam no STF para decidir o rito a ser adotado na sessão e aumentar suas chances de vitória.
Alguns integrantes da Corte já trabalham nos bastidores para que o julgamento não seja público, nem transmitido ao vivo pela TV Justiça, como uma forma de reduzir a pressão da opinião pública e poupar o STF de ainda mais desgastes — apesar do pedido do relator do caso Master, André Mendonça, para que a sessão seja “pública, transparente, presencial”.
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Há ministros planejando também levantar questões de ordem como, por exemplo, se Mendonça pode ou não votar na sessão. Outros pressionam Dias Toffoli, que tem se declarado impedido no caso Master, para que vote no julgamento sobre Moraes, alegando que, embora seja relativo ao banco de Daniel Vorcaro, a sessão trata de um tema institucional do Supremo.
Também não está descartada a possibilidade de proporem a nulidade do próprio relatório elaborado pela PF a pedido de Mendonça sobre as 52 mensagens trocadas por Moraes com o dono do banco Master.
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Todo esse esforço tem uma razão simples: se matarem o caso “no peito” por questões processuais, os ministros evitam a discussão mais delicada sobre o teor das mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
O documento demonstra que Moraes e Vorcaro negociaram diretamente o contrato de R$ 131 milhões firmados com o escritório da família do magistrado e se encontraram pessoalmente diversas vezes, incluindo a véspera da prisão do dono do Master em Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai.
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Dois dias antes da prisão, em 15 de novembro de 2026, o dono do Master perguntou a Moraes: ‘Acha que 2ª tenho que estar fora?’, numa aparente discussão a respeito de uma fuga. Horas antes de ser preso, perguntou: “Conseguiu bloquear?”
Mapa de votos
O julgamento também vai servir para medir a adesão do plenário do STF à defesa incondicional de Moraes, além de lançar luz sobre três personagens considerados peça-chave na definição do resultado: Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o próprio Fachin, que passou a última quarta-feira (9) em uma maratona de conversas reservadas com os colegas para achar uma solução para a crise.
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Tanto o grupo de Moraes quanto o de Mendonça já estão mapeando os votos para medir o termômetro da crise e contabilizar se há apoio à abertura de uma investigação contra o magistrado, que depende do aval da maioria do plenário. Nunca o STF autorizou em sua história a abertura de investigação contra um integrante da Corte.
O avanço das investigações do caso Master e a escalada da crise institucional que corrói a imagem do STF materializam o receio de Fachin em torno da apuração do maior escândalo financeiro da história do país: arrastar o Supremo para o epicentro do debate eleitoral num pleito que deve ser marcado mais uma vez pela polarização entre lulistas (que defendem Moraes) e bolsonaristas (que estão do lado de Mendonça).
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Fachin teme que o caso contamine a eleição para o Senado Federal, que terá ⅔ das cadeiras renovadas no pleito de outubro, e impulsione a eleição de uma forte e influente bancada de direita com a aprovação de impeachment de integrantes da Corte como pauta prioritária.
Para o presidente do Supremo, a melhor resposta à crise de credibilidade do STF seria a implantação de um Código de Ética, mas isso aí já é outra batalha.
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